não sei quem sou quando falo
não sei quem sou quando rio
não confio muito em mim
pois ouço coisas que calo
ecoando sem ter fim
pois hiperbólicas vezes
digo pra amigos corteses
um não, ao pensar um sim.
Dédalos dedos a tocar
As minhas hastes,
As minhas partes,
Cordas de mim...
//PAST?
Sou eu... eu... eu verbalizando eu, eu adjetivando eu, eu substantivando eu, eu ponto final do eu, eu ponto e vírgula eu, eu somada ao eu, eu... tangível e inquebrantável eu! O verbo ser, sem complementos.
Quarta-feira, Junho 25, 2008
Quisera eu dizer adeus aos teus passos, teu colo, teus abraços. Quisera eu maldizer o dito, o mito desse pretérito instante. Quisera eu arranhar sua boca com os espinhos das rosas despetaladas pelos lábios teus. Quisera eu dizer adeus ao medo, à coragem, aos horizontes nebulosos de um insólito talvez. Quisera eu dizer adeus ao não que reveste o meu sim, ao teu corpo perto de mim e às tuas mãos nas minhas - nem frias, tampouco quentes: mornas. Quisera eu dizer adeus ao hermetismo dos meus dias, ao mistério do meu olhar, às vontades escondidas, ao desejo de amar. Quisera eu, que tão bem te quis, por um instante te odiar, te ferir, te humilhar. Quisera eu me levantar desse gélido tapete atrás da porta. Quisera eu um coração que mais batesse que apanhasse. Quisera eu reconstruir minha fortaleza, erguer barreiras, trancar a porta, me esquecer da chave. Quisera eu dizer adeus a esse choro minguado, esse grito calado, esse querer estancado por um pedido esquecido, dois corpos separados. Quisera eu dizer adeus à aquela que (não) sou eu.
Adeus.
| screwed by the pretty hate machine ?s 1:31 PM
Segunda-feira, Junho 16, 2008
Hoje eu gostaria de dizer alguma coisa a alguém, mas não sei a quem dizer e no entanto libero meu grito de silêncio. Silencioso pois vai ecoar apenas em mim: as pessoas me cansam, e tenho medo de lhes dizer minhas verdades. Sou o que poderia se chamar de farsanta emocional. E a minha farsa me protege da monotonia da vida - gargalho diante da dor, fazendo troça de meus sentimentos mais pueris; ou então rechaço momentos de felicidade me tacando do abismo mais próximo, para dentro ou fora de mim, não importa, pouco dura... Apesar de tudo, a farsa que sustento só faz mal a mim: é que finjo que estou viva para que meu peso me sustente. E enfeito-me toda para em noite de alegria sair: é com apreço no coração que dou o meu primeiro passo e sei que não devo parar. Pensar cansa tanto que nesse momento vou parar e lembrar de algo fugidio que num passado que não vivi as coisas eram mais simples. O que eu quero pra mim? As pessoas que se aproximam o fazem por algum problema. Sinto que a farsanta em mim construiu muito bem o arquétipo da força e chego num ponto em que não consigo mais dar um passo: e quando penso, paro. Pensar me faz parar. Talvez daí a estagnação. Hoje sinto a solidão de bem antes e lembro quantas vezes tenho ódio de sei-lá-bem-o-quê. Há pessoas que estão vivas por obrigação e quem diz que gosta de ti, na verdde, diz isso pois precisa. E você é quem depois pagará por aquilo que não comprou. Estou querendo viver longe, quem sabe um lugar onde as notícias não cheguem? A previsibilidade do ser humano me cansa tanto que se eu dobrar-me em duas me parto e deixo de ser essa multidão que se disfarçou num todo. Por que não dizer das pessoas resignadas? Por que não comentar sobre a minha dificuldade em aceitar a falta de justiça eventualmente praticada contr mim, ou contra os meus? Estou inclusive, nesse choro, incluindo quem de fato eu gostar - estou aproveitando a deixa, não é sempre que há a possibilidade de num só golpe atingir o vazio e o escuro. Só me resta dormir então. Dormir e depois acordar. E quando o dia passar novamente dormir. O mundo é tão vasto e, no entanto, não nos resta mais nada. Boa noite.
Maybe I'm jsut a bedtime story...
| screwed by the pretty hate machine ?s 9:49 AM
Sábado, Junho 14, 2008
..............Meus amores roem cutículas, ............Têm medos incrustados no peito, ...........São conchas... afogadas no leito, ..........De tantas quimeras... - ridículas! .........Carregam nas pradarias... da alma, ..........Esta promessa........... esta dor, ............Plenas.......da.......ausência ..............Da flor.....da....inocência, .......................Esmagada, ...............Por teu pesado trator...